Sábado, 8 de Setembro de 2007
Miguel Torga despede-se de Vilarinho da Furna
Gerês, 6 de Agosto de 1968 — Derradeira visita à aldeia de Vilarinho da Furna, em vésperas de ser alagada, como tantas da região. Primeiro, o Estado, através dos Serviços Florestais, espoliou estes povos pastoris do espaço montanhês de que necessitavam para manter os rebanhos, de onde tiravam o melhor da alimentação — o leite, o queijo e a carne — e alicerçavam a economia — a lã, as crias e as peles; depois, o super-Estado, o capitalismo, transformou-lhes as várzeas de cultivo em albufeiras — ponto final das suas possibilidades de vida. E assim, progressivamente, foram riscados do mapa alguns dos últimos núcleos comunitários do país. Conhecê-los, era rememorar todo um caminho penoso de esforço gregário do bicho antropóide, desde que ergueu as mãos do chão e chegou a pessoa, os instintos agressivos transformados paulatinamente em boas maneiras de trato e colaboração. Talvez que o testemunho de uma urbanidade tão dignamente conseguida, com a correspondente cultura que ela implica, não interesse a uma época que prefere convívios de arregimentação embrutecida e produtiva, e dispõe de meios rápidos e eficientes para os conseguir, desde a lavagem do cérebro aos campos de concentração. Mas eu ainda sou pela ordem voluntária no ócio e no trabalho, por uma disciplina cívica consentida e prestante, a que os heréticos chamam democracia de rosto humano. De maneira que gostava de ir de vez em quando até Vilarinho presenciar a harmonia social em pleno funcionamento, sem polícias fardados ou à paisana. Dava-me contentamento ver a lei moral a pulsar quente e consciente nos corações, e a entreajuda espontânea a produzir os seus frutos. Regressava de lá com um pouco mais de esperança nos outros e em mim.
Do esfacelamento interior que vai sofrer aquela gente, desenraizada no mundo, com todas as amarras afectivas cortadas, sem mortos no cemitério para chorar e lajes afeiçoadas aos pés para caminhar, já nem falo. Quem me entenderia?
(Miguel Torga, Diário XI)


publicado por MA às 14:42
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Domingo, 3 de Junho de 2007
Aquecimento Global pelas Barragens
Desde há muito que venho defendendo, ainda que de forma intuitiva, que, se acabarem com as barragens, a começar pela de Vilarinho da Furna (quanto a esta, admito que possa ser suspeito), o tão propalado aquecimento global diminuirá.
Ainda bem que as provas começam a aparecer.
Manuel Antunes

----- Original Message -----
From: Carlos Bragança
Sent: Friday, June 01, 2007 11:22 AM
Subject: Fw: [Nova cultura da agua] Aquecimento climático pelas barragens
É talvez um pormenor pouco conhecido, mas a ter em linha de conta, este de que as grandes barragens também contribuem para o aquecimento global.
Cumprimentos,
Carlos Bragança dos Santos
 
----- Original Message -----
From: Red Andaluza de la Nueva Cultura Agua
To: nuevaculturaagua@listas.nodo50.org
Sent: Friday, June 01, 2007 9:01 AM
Subject: [Nuevaculturaagua] Calentamiento climático por las represas 
 
http://www.ecoportal.net/content/view/full/69416
El 4% del calentamiento global se debe a gases generados en las represas
24-05,
Los cálculos hechos por Lima implican que las 52.000 represas en el mundo contribuyen más de 4% al calentamiento global debido al impacto de actividades humanas. También explican que los embalses son la fuente más grande de emisiones causadas por humanos, contribuyendo a alrededor de un cuarto de estas emisiones.
• Es la segunda estimación hecha pública en revistas científicas.
• Revela un aspecto negativo aún poco conocido del impacto de las grandes represas sobre el clima y la sociedad humana.
Las grandes represas podrían hacer la mayor contribución al calentamiento global, emitiendo 104 millones de toneladas de gas metano cada año. La estimación fue anunciada en una publicación científica por Ivan Lima y sus colegas del Instituto Nacional Brasileño para Investigaciones Espaciales (INPE, en inglés).
“Hoy hay más que suficiente evidencia que demuestra que las grandes represas son la fuente mayor de contaminantes que agravan el cambio climático,” dijo Patrick McCully, director ejecutivo de la Red Internacional de los Ríos (IRN, en inglés).
Los cálculos hechos por Lima implican que las 52.000 represas en el mundo contribuyen más de 4% al calentamiento global debido al impacto de actividades humanas. También explican que los embalses son la fuente más grande de emisiones causadas por humanos, contribuyendo a alrededor de un cuarto de estas emisiones.
El metano es un gas más potente que el dióxido de carbono para atrapar el calor, aunque no dura el mismo tiempo en la atmósfera. Un año de emisiones de una represa grande, como ha estimado Lima, tiene un impacto de calentamiento equivalente a más de 20 años de 7.5 billones de toneladas de dióxido de carbono -esto es más alto que las emisiones totales de dióxido de carbono que se emiten por la quema de combustibles fósiles en los Estados Unidos.
Lima y sus colegas proponen que se capture el metano en estos embalses y se use como energía para plantas de electricidad. Lima dice que “si podemos generar electricidad de las grandes cantidades de metano producido por las represas en áreas tropicales que existen podemos evitar las consecuencias sobre la población humana y el medio ambiente que trae construir nuevas represas.”
“Es desafortunado que el estudio de Lima ha llegado muy tarde para ser incluido en los reportes recientes del Panel Inter Gubernamental del Cambio Climático (IPCC)”, dijo McCully. En parte por la influencia de la industria hidráulica y de los gobiernos que la apoyan, los creadores de las leyes en relación al clima no han puesto atención a la importancia del metano generado en represas en agravar el cambio climático.
El metano es creado por la descomposición de materia orgánica en los embalses. Las cantidades masivas producidas en áreas tropicales por represas hidroeléctricas significa que estas represas contribuyen más al calentamiento que las plantas de electricidad más sucias.
Esta es sólo la segunda estimación publicada en literatura científica de las emisiones de gases efecto invernadero de represas. El estimado anterior fue publicado en el 2000, y sólo incluyó emisiones del agua de la superficie de los embalses; el estimado global es 70 millones de toneladas de metano y un billón de toneladas de dióxido de carbono.
Los cálculos de Lima toman en cuenta las emisiones de las turbinas y spillways y de los ríos aguas abajo de las represas, además de la superficie de los embalses. La publicación de Lima no se dirige a las emisiones de dióxido de carbono y otros gases de efecto invernadero como el óxido nítrico.
Incluso Lima ha publicado a nivel nacional los primeros estimados de emisiones de metano de represas en Brasil, China, y la India. Estos estimados demuestran que las represas en Brasil e India son responsables de un quinto del impacto del calentamiento global.
Se ha estimado que las represas en la China producen 1% de la contaminación climática del país, aunque por razones de metodología probablemente es subestimado. www.ecoportal.net
Fundación PROTEGER
Berkeley, California, 9 mayo 2007 (prensa International Rivers Network -IRN).-

______________________________________________
RED ANDALUZA DE LA NUEVA CULTURA DEL AGUA
Lista de correos: nuevaculturaagua@listas.nodo50.org
Secretaría: nuevaculturaagua@yahoo.es
Web de la lista: http://listas.nodo50.org/cgi-bin/mailman/listinfo/nuevaculturaagua



publicado por MA às 13:38
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Sexta-feira, 5 de Janeiro de 2007
Barragens

Apraz-me registar que já não estou só nesta "Nortada".

MA

Da AMBIO:

Concordo! Portugal não precisa de barragens! Sem elas, a maior parte dos
problemas de erosão costeira desapareceria, por via da alimentação natural
(diferente de enchimento).

Assim há duas saídas:

1. estudar as melhores localizações para centrais de dessalinização da água
do mar (por sorte, a população já está toda no litoral). A energia pode ser
obtida localmente e a salmora usada para temperos...

2. elaborar um plano de redução sucessiva da população residente em Portugal
até patamares compatíveis com a disponibilidade hídrica daí resultante.

3. (não há duas sem três) rever a metodologia das contas custo-benefício que
se fazem nestas ocasiões... é muito complicado politicamente assumir a
"perda de território nacional". É complicado porque não são explicitados os
verdadeiros custos (incluindo de oportunidade) envolvidos.

CC
JME

(isto é uma espécie de provocação)

-----Mensagem original-----
De: ambio-bounces@uevora.pt [mailto:ambio-bounces@uevora.pt] Em nome de
Manuel Antunes

De acordo com o Henrique.
"O reforço das dunas nas praias do Norte, na Costa de Caparica, feito pelo
Instituto Nacional da Água (INAG) há três semanas atrás, já foi destruído
pelas marés cheias de domingo e de ontem" - dizem.
Porque não deixam o mar seguir o seu ritmo e os rios os seus cursos?
E não acabam com as barragens, a começar pela que destruiu Vilarinho da
Furna?
http://vento_norte.blogs.sapo.pt/
MA
(NB. Não é apenas uma provocação)


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publicado por MA às 13:01
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